quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Lembranças Durante Á Chuva.


Dias de calor infernal.
Depois de tempos a chuva finalmente apareceu.
Trouxe frescor a humanidade.
Mas meu coração continua turvo em confusão.
Olhando os pingos molharem meus pés percebo o quanto sinto falta de algo.
Apenas não sei bem do que sinto falta.
Pode ser de alguém, de um sorriso, de um cheiro, de um carinho.
Pode ser de algo que ainda não conheço e não senti.
Ando em direção a chuva, deixo ela escorrer pelo meu rosto.
As gotas parecem dançar ao ar.
Quando tocam o calor da minha pele me fazem arrepiar.
Minha mente trás vários rostos de volta a minha vista.
Rostos de pessoas que passaram e nunca mais verei,
Rostos de amores esquecidos com o tempo,
De amores ainda frescos na memória.
De pessoas que marcaram e as que nada significaram.
Pessoas que nem se lembram mais do meu nome.
Aí lembro de vários sorrisos, tristes, alegres, forçados, espontâneos.
Alguns direcionados a mim e alguns que direcionei aos outros.
O vento que faz meus cabelos balançarem é o mesmo que
Trás de volta cheiros esquecidos e novos cheiros.
Cheiros de perfumes importados, do leve aroma de sabonete ao sair do banho,
Do hálito fresco da Vodka Russa, o inesquecível cheiro do cigarro, daquele cigarro.
Olho para o céu e as gotas continuam caindo, derrubando o que vêem pela frente.
Entre elas vejo abraços apertados, que me foram dados quando necessário,
Revejo olhares perdidos na memória, aqueles olhares cheios de carinhos que valeram muito mais que abraços.
Um olhar, dentre tantos que se passaram foi apenas um olhar que me chamou atenção.
Não foi o olhar mais bonito, nem cheio de intenções, não foi um olhar antigo, muito menos de um amor passado.
Foi um olhar recente,um olhar sem medo, cheio de verdades, um olhar pidão, por vezes angustiado.
Aquele olhar me prendeu, e não consegui mais sair do lugar.
Lembrei de todas as palavras ditas enquanto aqueles olhos encaravam os meus, palavras simples, de nenhum significado importante, mas aqueles olhos pediam mais.
Com aqueles olhos nos meus fomos nos aproximando, foi um beijo casto, sem que ninguém percebesse, sem afetar a moral e os costumes de ninguém, foi o beijo mais santo que já ganhei.
Foi um beijo sem nenhuma paixão, sem querer nada depois.
E agora eu digo uma coisa a vocês, eu vi, senti  e até mesmo ouvi falar, do beijo mais lindo da humanidade.
E ele foi apenas um roçar de lábios.


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