sábado, 29 de dezembro de 2012

A Dama de Vermelho

Ela estava ali, como sempre sozinha, no seu vestido de grife vermelho.
O luar refletia em seu cabelos tão negros quanto a noite.
Ela tinha tudo o que sempre almejou.
Porém seu olhar era vazio, sem nenhum calor.
Muitos que olhavam viam a perfeição.
Nenhum deles sabiam que o caminhava dentro daquele vestido vermelho era apenas gelo.
Frieza constante.
Hoje ela tomou um caminho diferente, foi em direção ao mar.
Deixou a água tocar seus pés na esperança de levar embora a dor e confusão da sua alma.
O coração da perfeição nunca soube o que era o verdadeiro amor.
Ela ja foi quente, assim como seu vestido vermelho.
Porém era calor passageiro, aquele que vem queima, deixa um rastro de destruição e vai embora.
Um dia ela cansou das destruições e desistiu do calor.
Viveu sem esperanças de encontrar aquilo que chamam de amor.
Coração foi gelando, as pessoas perdendo a graça, o mundo seguindo sem se importar.
Até mesmo os mais próximos não conseguiram ver através da pequena frase dita sempre.
- Eu Estou Bem.
A dama de vermelho entrou no mar na esperança das ondas a levarem para longe.
Quando a mente ficou turva, a esperança  de afundar e sumir ficou maior.
Sem ela perceber foi erguida da água e levada a areia.
Depois de longos momentos abriu seus olhos e encontrou o único olhar que a fez perder o chão.
Aquele olhar doce e gentil que ela pensara que não veria nunca mais.
Ele a ergueu em seus braços sem quebrar aquela magia.
E aquele roçar de lábios fez o mundo inteiro escurecer...
O tremor dos corpos em contato um com o outro fez a terra explodir.

E até hoje ainda não se sabe se a dama de vermelho encontrou naquela noite com aquele beijo, o verdadeiro sentimento que se chama AMOR.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Lembranças Durante Á Chuva.


Dias de calor infernal.
Depois de tempos a chuva finalmente apareceu.
Trouxe frescor a humanidade.
Mas meu coração continua turvo em confusão.
Olhando os pingos molharem meus pés percebo o quanto sinto falta de algo.
Apenas não sei bem do que sinto falta.
Pode ser de alguém, de um sorriso, de um cheiro, de um carinho.
Pode ser de algo que ainda não conheço e não senti.
Ando em direção a chuva, deixo ela escorrer pelo meu rosto.
As gotas parecem dançar ao ar.
Quando tocam o calor da minha pele me fazem arrepiar.
Minha mente trás vários rostos de volta a minha vista.
Rostos de pessoas que passaram e nunca mais verei,
Rostos de amores esquecidos com o tempo,
De amores ainda frescos na memória.
De pessoas que marcaram e as que nada significaram.
Pessoas que nem se lembram mais do meu nome.
Aí lembro de vários sorrisos, tristes, alegres, forçados, espontâneos.
Alguns direcionados a mim e alguns que direcionei aos outros.
O vento que faz meus cabelos balançarem é o mesmo que
Trás de volta cheiros esquecidos e novos cheiros.
Cheiros de perfumes importados, do leve aroma de sabonete ao sair do banho,
Do hálito fresco da Vodka Russa, o inesquecível cheiro do cigarro, daquele cigarro.
Olho para o céu e as gotas continuam caindo, derrubando o que vêem pela frente.
Entre elas vejo abraços apertados, que me foram dados quando necessário,
Revejo olhares perdidos na memória, aqueles olhares cheios de carinhos que valeram muito mais que abraços.
Um olhar, dentre tantos que se passaram foi apenas um olhar que me chamou atenção.
Não foi o olhar mais bonito, nem cheio de intenções, não foi um olhar antigo, muito menos de um amor passado.
Foi um olhar recente,um olhar sem medo, cheio de verdades, um olhar pidão, por vezes angustiado.
Aquele olhar me prendeu, e não consegui mais sair do lugar.
Lembrei de todas as palavras ditas enquanto aqueles olhos encaravam os meus, palavras simples, de nenhum significado importante, mas aqueles olhos pediam mais.
Com aqueles olhos nos meus fomos nos aproximando, foi um beijo casto, sem que ninguém percebesse, sem afetar a moral e os costumes de ninguém, foi o beijo mais santo que já ganhei.
Foi um beijo sem nenhuma paixão, sem querer nada depois.
E agora eu digo uma coisa a vocês, eu vi, senti  e até mesmo ouvi falar, do beijo mais lindo da humanidade.
E ele foi apenas um roçar de lábios.


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